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Cascais: Da Vila de Pescadores ao Refugio Real

Sep 24, 2026

Cascais, entre conchas e conspirações

Audioguia da VisitCascais liga a vila piscatória, a corte, Paula Rego e uma célebre farsa na Boca do Inferno

Cascais não começou nos palácios. Começou nas conchas, no peixe e nas varinas que faziam um caminho de seis horas até Lisboa com cestos à cabeça. O audioguia “Cascais: Da Vila de Pescadores ao Refugio Real”, da VisitCascais, parte dessa realidade para contar como decisões individuais, ambições artísticas e episódios bastante improváveis alteraram a história da vila.

Ao longo de 13 paragens, o visitante encontra histórias áudio pensadas para serem ouvidas no próprio telemóvel. O percurso começa no Centro Histórico Museu da Vila e segue uma Cascais menos arrumada do que a imagem de postal costuma sugerir. Aqui, a transformação não aparece como uma lista de edifícios ou datas, mas através das pessoas que a provocaram e das consequências que deixaram.

Uma dessas pessoas foi D. Luís I. Quando escolheu Cascais para passar o verão, em 1870, a corte seguiu-o e a antiga vila piscatória começou a receber chalés, palácios de veraneio e passeios arborizados. Oito anos depois, as primeiras lâmpadas elétricas de Portugal foram acesas na Cidadela para o aniversário do príncipe D. Carlos. Os pescadores desceram à praia para ver a luz. Poucas imagens resumem tão bem o encontro entre as duas Cascais.

O audioguia acompanha também histórias que recusam uma leitura confortável. Na Casa Histórias Paula Rego, os contos portugueses e ingleses ouvidos pela artista em criança reaparecem transformados em figuras femininas pesadas, obstinadas e, por vezes, animalizadas. As “Mulheres-Cão” não foram feitas para tranquilizar ninguém. Já a série dos “Abortos”, criada depois do referendo de 1998, circulou amplamente antes do segundo referendo, em 2007, e Jorge Sampaio creditou publicamente o trabalho de Rego como influência no resultado.

Na Boca do Inferno, o percurso cruza cinema, literatura e uma considerável falta de modéstia. Em 1896, Henry Short filmou durante treze segundos o mar a entrar na gruta, naquela que foi a primeira filmagem realizada em Portugal. Em 1930, Aleister Crowley deixou ali um falso bilhete de suicídio, enquanto Fernando Pessoa explicava os símbolos à imprensa. Crowley reapareceu três semanas depois em Berlim, vivo e pronto para inaugurar uma exposição. Pessoa começou um romance policial sobre o episódio, mas nunca o terminou.

Criado com a GuideSofia como parceira criativa e tecnológica, o audioguia combina histórias áudio com a opção de gerar guias personalizados com inteligência artificial.

https://www.guidesofia.com/cascais